CENÁRIO TRAZ PERSPECTIVAS POSITIVAS
Líderes empresariais, professores e economistas reunidos na ACSP apontam logística como possível entrave ao crescimento econômico do País em 2010.
No front interno as perspectivas continuam muito boas para a economia brasileira em 2010, com crescimento projetado para o Produto Interno Bruto (PIB) que pode ultrapassar a casa dos 6%. No externo, é pouco provável que a Alemanh não ajude a Grécia em dificuldades financeiras, assim como os países da zona do euro devem dar uma força para a Irlanda, Espanha e Portugal; mas todo esse ajuste vai ocorrer de uma forma mais lenta e gradual. Portanto, não há grandes riscos de um repique na crise mundial.
Essa avaliação feita ontem na reunião de conjuntura da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), formada por líderes empresariais de todos os setores, professores e economistas, que considerou ainda que a decisão do Banco Central (BC) em elevar o recolhimento compulsório dos bancos (leia mais na página 8) para março sinaliza duas coisas no curto prazo: retração no crédito e aumento da taxa básica de juros (Selic) esperada já para a reunião de abril próximo do Comitê de Política Econômica (Copom).
Considerou que a solução para "problemas", como o aumento do nosso déficit público, déficit em contas-correntes, pressões inflacionárias e taxas de juros em alta, será "transferida" para 2011, ou seja, para o próximo governo, seja ele qual for.
Foi consenso ainda que o crescimento deste ano vai bater nas limitações logísticas impostas pelos gargalos da infraestrutura (estradas, portos, aeroportos etc), sobretudo, com forte impacto nos custos do escoamento da grande safra de grãos, esperada para este primeiro semestre.
Setoriais – No mais, os depoimentos setoriais confirmaram essa visão otimista para as vendas em 2010, que leva em conta a queda da inadimplência líquida constatada, neste ano, pelas consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) e SCPC/ Cheque, aumento das vendas à vista e ainda um avanço no crédito em geral de 15% em 2009 e de 18% para as pessoas físicas.
O dono de uma rede de lojas de variedades disse que em janeiro as vendas ficaram iguais a janeiro de 2009, com um crescimento de 5% nos negócios à vista. Outra rede de confecções para baixa renda confirmou que 70% das vendas de janeiro e fevereiro foram feitas à vista e que nem mesmo as chuvas chegaram a prejudicar o movimento de fevereiro.
O setor de móveis, por exemplo, teve um crescimento de 2% em 2009, mas que já subiu para 3% apenas em janeiro deste ano, ante igual período no ano passado.
Os setores petroquímicos, químicos e farmacêuticos também projetam bons resultados para 2010. "As farmácias estão investindo muito em TI (tecnologia da informação) em busca de produtividade", disse um líder do setor.
As vendas de móveis e colchões, que andavam devagar em dezembro passado, já recuperaram fôlego e se espera um bom crescimento em março. Houve uma "avalanche" na procura por imóveis em janeiro, sobretudo os com preço acima de R$ 400 mil.
"Mas na cidade de São Paulo, o elevado preço dos terrenos e a demora para aprovação de uma planta estão inviabilizando novos projetos", disse o dono de uma grande incorporadora.
Finalmente, embalagens, supermercados e bancos prometem um bom crescimento para este ano. O setor têxtil nacional continua sofrendo a concorrência desleal dos produtos chineses, sobretudo do contrabando. "A China representa 58% das importações de têxteis para o Brasil", concluiu um industrial do ramo.
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